Proposta de planejamento para o Rio Negro

Pessoal, durante a reunião de 19-12 não foi possível por falta de tempo discutir os casos a serem analisados no Rio Negro. Nesse meio tempo, vimos conversando com os Kootiria (Wanano) e mais recentemente com os Baniwa, com a assessoria de Lucia, Adeilson e Laise.

A proposta é trabalhar dois casos no Rio Negro:

- - Kootiria ya bahsa – Projeto Wanano de registro das danças tradicionais: projeto apoiado pelo PDPI para revitalização cultural das danças, envolve construção de maloca, oficina de vídeo, expedições de preparação e realização/registro audiovisual das cerimônias Kootiria, com previsão de produção e venda de CD. Integra-se a este o projeto da lingüista Kristine Stenzel, que aproveitará as mesmas atividades visando o registro em banco de dados baseado na Inglaterra.
- mediadores/tradutores: Lucia Alberta, Ediberto, Joselito
- tempo: projeto PDPI de 3 anos, inicia em 2008, em andamento desde fevereiro
- lugar: comunidade Caruru Cachoeira, alto rio Uaupés

- Podaáli revitalização da musica Baniwa: projeto apoiado pelo edital Petrobras Cultural via mecenato, envolve construção de maloca, expedição para resgate das flautas sagradas, registro audiovisual de danças e musicas, com previsão de produção e venda de CD.
- mediadores/tradutores: Adeilson, Laise, André Fernando, Moisés
- tempo: projeto de 1 ano, começa em 2008 e termina em meados de 2009, coincidente com o prazo do projeto Ford
- lugar: comunidade de Itacoatiara Mirim, São Gabriel da Cachoeira

Método:
A) 2 jornadas de 2 oficinas: em SGC e em Caruru-Cachoeira
· Cada jornada de + - 15 dias: primeiro oficina em Itacoatiara Mirim, depois segue para Caruru Cachoeira
· Cerca de 5 dias para cada oficina

Primeira jornada – oficina em 2 momentos, 1º aprender com os índios a história mítica e o jeito de cuidar de seus conhecimentos, 2º apresentar e debater sobre novas tecnologias da informação (Internet) e seus potenciais, com apoio de material preparado (impresso e/ou em cd)
Data proposta: 1ª quinzena de agosto

Segunda jornada – depois da primeira oficina, fazer uma avaliação e marcar segunda oficina, com objetivo de refletir sobre as possíveis mediações entre o tema da propriedade intelectual e conhecimentos tradicionais, sob a lógica (solidária ou proprietária) da defesa e promoção dos direitos relacionados aos conhecimentos tradicionais.

Data proposta: 1ª quinzena de novembro

Preparação: organização de material com assessoria dos advogados do CTS

B) Encontro sobre Direitos Culturais em SGC
A proposta é promover um encontro intercultural no Pontão de Cultura da FOIRN em SGC, juntando indígenas que estão desenvolvendo iniciativas culturais em diferentes bacias, trazendo cerca de 20 indígenas.
Duração de 5 dias
Participantes: alem dos Baniwa e Kootiria com quem fizemos as oficinas, convidar também os Tariano e Tukano para falar sobre as ações de salvaguarda da Cachoeira de Iauarete (construção das malocas, repatriação de ornamentos, expedição ao igarapé Turi)
Data proposta: depois do carnaval de 2009

A proposta permitirá aprofundar discussões baseadas em projetos com ações e objetivos semelhantes, dentro de um contexto de revitalização cultural no Rio Negro, possibilitando aprender a perspectiva de dois povos distintos, com graus diferentes de isolamento com o contexto urbano e de acesso a Internet.
Os Baniwa em Itacoatiara vivem dentro do contexto urbano de SGC, a comunidade vem se tornando pouso de muitos Baniwa vindos do Içana/Ayari e muitos dos jovens (a maioria nascidos no Içana e vindos depois de iniciados) já acessam e estão familiarizados com a Internet.
Os Kootiria, com exceção de alguns jovens que circulam por Iauareté e SGC, estão em região de difícil acesso no alto rio Uaupés, embora com presença missionária há décadas. A comunidade Caruru Cachoeira, principal localidade onde acontecerão as ações do projeto, está fisicamente próxima de Uapui Cachoeira, comunidade Baniwa no rio Ayari. Embora na fila do GESAC, ainda não há acesso a Internet na comunidade.
O Encontro final em SGC permitiria uma revisão das experiências de diferentes etnias, mostrando os caminhos percorridos, as estratégias, mediações e definições de cada povo no processo de transformação dos meios tradicionais de transmissão e circulação cultural.

Colaboração do CTS:
· Preparação de material para as oficinas em linguagem acessível para as comunidades, em conjunto com o ISA, sobre cultura digital, potenciais da Internet e de circulação da informação hoje, com exemplos de crescente complexidade.
· Pode haver um material impresso simples customizado para cada oficina e eventualmente também um CD “saiba mais”com um conteúdo maior de exemplos e assuntos.