Resumo das diretrizes do primeiro material a ser entregue pela consultoria FGV

Como salientado na reunião, são dois os movimentos dos Ikpeng: o de acesso a materiais que se referem a eles em poder de outros; e as possibilidades ou limites do acesso de outros ao material audiovisual por eles produzidos. A primeira parte da oficina será dedicada à compreensão dos mecanismos, limites e possibilidades culturais de divulgação, acesso e produção de conhecimentos. A segunda parte refere-se aos parâmetros tecnológicos e jurídicos da discussão, de onde podemos sintetizar duas situações-problema abaixo sintetizadas:

Situação-problema 1: Acesso a materiais diversos e dispersos em museus brasileiros e a reunião de informações diversas em um servidor.
A discussão sobre a reunião de material de curadoria de museus já foi pautada, em virtude da negativa do Museu Gesco (GO) em liberar o acesso livre aos indígenas de seu acervo áudio-visual para a composição de documentário sobre o primeiro contato dos não índios com os Ikpeng. Os indígenas tiveram de pagar pelo direito de reproduzir trecho audiovisual do acervo sob curadoria da Universidade Católica de Goiânia. Algumas questões que certamente serão discutidas a partir das referências da etnia:
Quais os usos possíveis dos diversos tipos de materiais?
Como as finalidades dos usos influencia nas possibilidades de negociação com os museus?
Em que se baseiam as discussões de ampliação do acesso a acervos protegidos?
Que propostas se apresentam interessantes para os Ikpeng negociarem com os museus?

Situação-problema 2: O uso de novas tecnologias: limites e possibilidades
O segundo momento dessa reflexão inverte o raciocínio anterior, na medida em que o cerne da discussão não é mais o acesso Ikpeng ao acervo sob poder de outro, mas o acesso de outros a informações reunidas e produzidas pelos Ikpeng. A esse debate agregam-se decisões sobre como e para quem pretendem distribuir o DVD sobre o ritual Karo, bem como as permissões para utilização (reprodução, alteração, venda, educação, etc.) do vídeo por terceiros.

A oficina deve esclarecer dúvidas sobre a ferramenta da Internet, bem como dimensionar a revolução por ela propiciada, destacando pontos interessantes tanto da divulgação como do acesso a informações.

Algumas questões norteadoras:
O que é tecnologia e como sua evolução influencia as sociedades?
Qual a história da evolução da tecnologia?
Qual o potencial das novas ferramentas e da Internet?
Como a tecnologia força a adequação da percepção dos direitos intelectuais? Como consolidar novos direitos a partir do potencial tecnológico?
Por que uns defendem maior controle e outros acesso livre? Exemplos de grupos, indivíduos com diferentes percepções.

Em uma busca rápida no Google e no U Tube sobre o nome Ikpeng. Encontramos vídeos, referências e muitas imagens sobre o povo indígena, que por si só, já serviria como gancho para uma discussão sobre o potencial da Internet.
Mas achamos também uma banda, ao que tudo indica de Brasília, com o mesmo nome da etnia. O estilo musical da banda é psicodélica, dark ou ainda horror house, a depender da definição dos fãs. Um dos álbuns da banda tem o seguinte título: The Moyngo Ritual. Trata-se de um dos mitos de origem do cerimonial de tatuagem das crianças Ikpeng, que já foi inclusive tema de documentário produzido por indígenas Ikpeng com a ONG Vídeo nas aldeias (MOYNGO, O Sonho de Maragareum - 2002).
O acesso a Internet permitirá acesso dos Ikpeng a essa banda, por exemplo. Qual a reação dos Ikpeng? O que eles pensam do uso do nome deles por uma banda de música? Quais os problemas e soluções possíveis?

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